Sounds of Nature

quarta-feira, novembro 02, 2005 à(s) 02:02
Fascinantes!
É com este adjectivo que caracterizo os sons da Natureza, aquela Mãe Natureza que partilha connosco tudo o que tem...é um amor incondicional.
Acordarmos com o som da chuva e termos vontade de permanecer na cama, intemporais, acompanhados por uma banda sonora tão simples e que nos faz sentir tão bem. Ou então, o despertar com o pio dos pássaros que são livres e cantam em qualquer lugar, até no parapeito da nossa janela ou na nossa palma da mão, melodias vadias sem pautas a indicar as notas...
E o Vento, essa força muitas vezes assutadora, também nos proporciona sensações fantásticas com um cantarolar agudo (quase mudo), como se soprasse ao ouvido de todos nós e simultaneamente transmitisse coisas tão distintas a cada Ser que o ouve.
O estalar da madeira das árvores, som seco, fraccionado, afinado por uma escala que ninguém domina e aparentemente pouco musical, quando escutado algures num pântano, nos permite constatar que definitivamente não somos nada.
As quedas de água, o cantar dos rios, o som oco das areias no deserto, os ecos que as grutas nos fazem encontrar com sonoridades misteriosas, o cair das folhas das árvores, as pedras a rebolar sons anónimos pelas calçadas, as brisas de fim de tarde que assobiam baixinho enquanto o mar beija a areia, os grilos e cigarras que animam as noites com o uivar do lobo e as tertúlias de morcegos, corujas, gatos, cães vadios, mochos, cucos...
Até nos incêndios, furações, maremotos, tempestades, tremores de terra, vulcões e outros abalos, a Natureza consegue cantar (apesar de serem músicas desesperadas que provocam espectáculos grandiosos e que - compreensivelmente - não queremos que se repitam).
Olha para os campos desertos, para os pólos, para os matos, para os lagos, para as cascatas, clareiras, florestas, e todos esses lugares ainda não esquartejados pela mão humana e tenta imaginar-te num desses biomas, calado. Haverá sempre uma conversa da Mãe Natureza mas nem sempre a queres ouvir...mas ela está aí e nunca se cala, não descansa, não dorme. Só fala, grita, canta, gesticula, dança, segreda; inventa todas as formas possíveis de falar contigo e tu nem sempre a escutas!!! Já pensaste nisso?
Não conseguimos ter força, domínio, imponência, poder, altivez, simplicidade nem o valor das coisas banais da vida que não têm de se esforçar minimamente para agradar ninguém. Agradam simplesmente pelo "todo" que são e o "nada" que significam para os pobres-de-espírito!

2 comentários

  1. Orfeu Says:

    Leio e releio o que escreves e só consigo chegar a uma conclusão...és realmente uma pessoa diferente, especial, observadora, intemporal que prima pelo olhar e pelo poder que tem de descrever o que vê, o que sente, o que quer, o que imagina e...tudo o que se esqueceu ou quer descobrir…
    Um beijo

  2. Marlene Says:

    A natureza é de facto fascinante...quem explica a natureza?! Mas gosto bastante de a ouvir...quando estou triste basta olhar o mar para me sentir melhor...sabe tão bem olhar para ele!

I'mNesic | Powered by Blogger | Entries (RSS) | Comments (RSS) | Designed by MB Web Design | XML Coded By Cahayabiru.com