Olhares

segunda-feira, novembro 07, 2005 à(s) 13:07
Vivemos tão apressados que muitas vezes nem damos valor a determinadas coisas com que nos cruzamos frequentemente: nem as vemos! No entanto, vamos olhando para tudo o que nos rodeia e aquilo a que hoje atribuímos importância, amanhã poderá não ter qualquer significado.
Ao longo da minha vida já olhei para muita coisa, já personalizei uma infinidade de olhares e expressões, e distribuí inúmeros sorrisos pelas pessoas com quem me cruzei. Todavia, também já vi a vida com lágrimas, surpresa, encantamento, agonia, desespero, agressividade, doçura, empatia, intimidade e uma imensidão de emoções e sensações que nem sempre é fácil descrever.
Lembro-me, porém, de uma pessoa que se cruzou comigo, um tipo que nunca esqueci e que desconheço completamente (exceptuando as suas feições). Foi há uns 5 ou 6 anos, quando estava em Lisboa na zona do Rossio.
Dirigia-me para o Metro de olhar cravado na calçada quando, inesperadamente, embateste no meu ombro e numa fracção de segundos pregaste os teus olhos castanhos aos meus, voltaste as costas à direccção em que seguias e caminhaste para o teu destino a olhar para mim...como se nos meus olhos visses o chão que pisavas.
Não quiseste saber se ias na direcção certa, se esbarravas contra alguém. Paraste e ali ficaste prisioneiro do meu olhar com os meus olhos atados aos teus. Nesses três segundos vi uma retrospectiva de toda a minha vida, devorei-te de alto a baixo e imaginei como serias. Roubei-te um beijo dos lábios sem que os meus olhos largassem os teus. E tu, olhaste-me com tanta intensidade, desejo e sofreguidão que parecias desnudar-me e ver com profundidade o que havia de mais secreto em mim. Senti-me devorada, completamente!
Lembro-me deste instante como se fosse hoje... certo é que com a multidão que circulava pela rua, à medida que me agarraram a mão e disseram "Anda!", eu não deixei de te olhar, assim como tu não me deixaste só! Fomo-nos distanciando com um sorriso estranho e dócil, caminhando hesitantes; só eu e tu sabemos as palavras que trocámos nesse breve momento.
Não sei quem és, donde és, o que fazes, em que língua te expressas, não sei absolutamente nada sobre ti nem me interessa saber. Apenas sei que nunca ninguém me olhou do mesmo modo que tu e por isso nunca te esqueci!

4 comentários

  1. Bem, gostei muito dessa história que as pessoas pensam que so acontece nos filmes...Nunca me aconteceu mas gostava que acontece-se lol...mas há coisas na nossa vida que parecem um filme...Beijos linda

  2. Orfeu Says:

    "No entanto, vamos olhando para tudo o que nos rodeia e aquilo a que hoje atribuímos importância, amanhã poderá não ter qualquer significado."
    Sem duvida uma verdade absoluta...indiferença quando somos "vampiros", desespero quando somos "vitimas", é a Vida.
    Os teus pensamentos revelam muita observação pela vida que te rodeia, Parabéns.

  3. andré Says:

    Só muita pouca gente por ai sabe as coisas lindas que a nossa mente consegue fazer, uma delas é esconder essas capacidades que quase ninguém conhece e ela própria cria preguiça em conhecer. Se muita gente soubesse olhar… viviamos num mundo quase perfeito.

  4. Marlene Says:

    apoio o andré :)

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