És de "bom" tempo!

domingo, dezembro 04, 2005 à(s) 01:01
Ingenuidade - adj., natural; em que não há malícia; simples; inocente; espontâneo...
Actualmente dá-me um certo gozo apreciar este tipo de atitude por parte das pessoas, e da minha parte também. Creio que é um comportamento a cair em desuso visto que antes de agir, pensamos...(e muito).
A ingenuidade sempre foi uma das minhas características, e sinceramente, tenho alguma dificuldade em avaliá-la; não sei até que ponto é ou não benéfica!
Lembro-me de uma determinada época em que comecei a ser calculista, (época essa em que depois de muitos "arranhões", fiz uso do provérbio: "Se queres vencer o inimigo, junta-te a ele").
Não achei muita graça a este exercício cerebral; tenho cada vez mais a certeza que sou uma ingénua de primeira e não consigo ver "tão à frente" como seria suposto acontecer quando me tornei calculista!
Exactamente por causa disso, dei-me à preguiça e retornei a mim... já la vai um tempo considerável e a verdade é que gosto de ser como sou (ingénua, simples, espontânea e inocente).
Mesmo que posteriormente me magoe com isso, não me interessa. O que me importa é ser como sou, dizer o que penso, errar quando tenho inevitavelmente de errar, para aprender com isso e continuar a ser quem sou.
Verifico, aliás, que a ingénuo-espontaneidade vai sofrendo uma pequena metamorfose causada por este conjunto de termos a que chamamos "vida-em-sociedade".
Relativamente aos outros que tenho apreciado, só de me lembrar... !
Não há ser mais espontâneo que as crianças ou então pessoas portadoras de deficiência mental (e não estou a menosprezar, atenção).
Independentemente da idade, região, profissão ou tipo de vida que levem, o convívio que vou tendo com estas pessoas mostra-mas tão sinceras, ingénuas e espontâneas, que para serem felizes não medem as consequências do seu sorriso, dos seus pedidos, das suas tristezas, das suas ideias, dos seus gestos... nem lhes interessa.
O importante é transparecer o que sentem, sem pensar se são ou não oportunos. Divertem-se bastante, até! E ainda bem, porque nós que somos possoas normalíssimas e cresciditas, cada vez menos nos importamos com os outros.
Vivemos a conjugação do Tempo Presente do Indicativo somente através do pronome pessoal da primeira pessoa do singular: "EU".
O verbo que conjugamos é multifacetado e encontra-se a ser estudado pelos gramáticos mais dotados do planeta, devido à pluralidade de terminologias e "excepções" de que é dotado. Conjuga-se do seguinte modo e inclui as respectivas variantes:
Eu é que penso
Eu é que quero
Eu é que faço / vou
Eu é que sou
Eu é que mando
Eu é que tenho / uso / visto / como / possuo / ...
Eu...muitas vezes este pronome é associado a outro "Nós".
No entanto, a segunda pessoa do singular "TU" também tem uma conjugação que casualmente coincide com outros pronomes pessoais - nomeadamente Ele(a), Vós, Ele(a)s. Conjuga-se assim:
Tu não pensas
Tu não falas
Tu não obdeces
Tu não ousas
Tu não mandas
Tu não és (nada mais do que meu súbdito)
Tu não tens / vestes / usas / comes / possuis / ... nada superior ao que Eu tenho, visto, uso, como, possuo...
Tu fazes /vais / dás (...) o que eu quero, peço, mando,...
E voltando a divagar pelo tema inicial (do qual ingenuamente me desviei), chego à conclusão de que não há coisa mais saudável do que as atitudes inocentes, singelas, espontâneas (...) que nos tornam naturalmente felizes com pequenos gestos, segredos, olhares, sorrisos, toques, repreensões, casualidades...
É isso que faz falta neste universo cada vez mais individualista, calculista e egocentrista, que vive na sombra da individual frieza humana, gerada pelo próprio "Eu" descendente desta (im)personalidade.
"Eu até estava p'ra lhe oferecer o emprego, mas (o gajo tem a mania que é esperto e qualquer dia sobe na vida mais do que eu...) já não havia vagas!"
"Até te dizia onde está, mas... (antes que tu apanhes isso primeiro que eu) já não me lembro!"
"Pensei em comprar aquele fato e quando lhe toquei achei o tecido péssimo e áspero (mas a estúpida da fulana tem um igual...e eu ADORO-O)".
Meros exemplos de atitudes comuns a todos nós, sem excepção! Mesmo aos mais ingénuos que, como eu, já deram por si a pensar assim...
Será que este termo ainda será recuperado na sua originalidade para o quotidiano de cada um de nós?

1 Responses to És de "bom" tempo!

  1. Orfeu Says:

    É tão bom a ingenuidade numa pessoa… mas esta característica não poderá existir em excesso...para além de nos tornar vulneráveis, só conseguiremos sobreviver com uma pequena dose do seu oposto. Eu já fui docemente ingénuo e cada vez mais dia após dia perco esse sentimento tão puro e necessário no Amor....

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